Lula chegou à Presidência como uma farsa, mas sua volta seria uma tragédia. Por Diego Lagedo


 O pensador mais importante do comunismo, Karl Marx, escreveu no livro O 18 de Brumário de Luís Bonaparte que os fatos da história se repetem duas vezes, a primeira como tragédia e a segunda como farsa.

Conceitualmente, a tese de Marx não poderia estar mais equivocada. Mas ela pode ser aproveitada para observar que, no caso do ex-presidente Lula, a história do Brasil se repetiu de forma inversa: primeiro veio a farsa e depois a tragédia.


A farsa ocorreu durante todo o percurso que Lula percorreu para chegar à Presidência e durante os mandatos do PT. Inicialmente, Lula assumiu uma posição de sindicalista, homem do povo, contrário às elites e ferrenho defensor da ética na política.


O PT foi criado no berço das pastorais católicas, mas nunca teve a mínima influência da democracia cristã. Seu partido era contra tudo, desde a Constituição até o Plano Real, assumindo as posições mais extremas dentre as grandes siglas do país. Mas essa estratégia não o levou à Presidência.


Como sempre foi apaixonado pelo poder, resolveu mudar completamente e criou o personagem “Lulinha paz e amor” para convencer a classe média. Deu certo! Com um empurrãozinho do próprio PSDB e da Globo, Lula chegou à Presidência.


Até então, não havia nenhuma desconfiança do povo quanto àquele “representante dos pobres” que havia chegado ao mais alto cargo da República. Mas a farsa logo foi desmascarada quando o Escândalo do Mensalão mostrou que o partido da moral e da ética era, na verdade, o mais corrupto da história do país (um feito e tanto em um país como o Brasil). Lula, que dizia não saber de nada, foi, na verdade, o maior amigo da banda podre da elite brasileira.


Ainda custando a acreditar que tamanho absurdo pudesse ser verdade, o povo deu mais um mandato a Lula e ainda permitiu que ele elegesse sua sucessora, Dilma Rousseff. Em troca de quatro mandatos do PT, como presente, o país recebeu um escândalo maior ainda, o Petrolão. Aí foi a gota d’água.


As pessoas mais identificadas com os valores patrióticos foram às ruas e conseguiram alcançar o impeachment de Dilma, enquanto a Operação Lava-jato levou Lula e diversos outros corruptos para a cadeia. Parecia que o país estava seguindo um novo caminho em direção às democracias desenvolvidas do primeiro mundo, onde a corrupção é uma exceção.


Findada a farsa, veio a tragédia! O sistema não aceitaria facilmente as mudanças. Engravatados e togados que se locupretaram quando Lula estava no poder fizeram de tudo para anular suas condenações na Lava-jato, e conseguiram. Agora, tentam pavimentar sua volta à Presidência da República.


Lula personificou toda a hipocrisia mal disfarçada de grande parcela do Brasil. Mas não há nada mais trágico do que ver que a guinada do país em direção ao fim da corrupção não passou de uma ilusão. O Brasil continua deitado eternamente em berço esplêndido.


Se a primeira chegada de Lula ao poder revelou uma grande farsa, uma segunda, certamente, seria uma grande tragédia!


Diego Lagedo é historiador e especialista em Gestão Pública. A sua coluna aborda temas políticos e é publicada de segunda a sábado.

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